Apagão

Que atraso
Os que lamentam a solidão
Que sufoco
Os que suplicam multidão
Que vazio
Os vasos secos pelo jardim, 
Sem sementes, sem grão.
É admirável a fome d'um cão
Abandonado 
Jogado no chão
Dia-a-dia
Sem dizer não.

Que desastre
Que desgaste
Desistir a vida.

Que maldade
Malandragem
Que ausência de bondade.

Que atraso
Os que lamentam a solidão
Não sabem que são todos Eles
Um por um, a multidão?

Um comentário:

  1. Que musicalidade, como um vento cruviano despindo janelas, e versos brancos alvos...Um verdadeiro estímulo para romper com o cativeiro!
    Bravo, poetisa! Sucesso com seu livro (permanecerei à espreita) !

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