Dilacera, O Pó.


Tudo o que eu tenho:
Uma casa empoeirada
Para escrever seu nome
em "tudos" que toco.

Dindi

Não me satisfaz
Rir um desespero
Que finda em rizzi.

Eu Só Tenho Um Pedido

Querida, deixe-me aqui
Emudecido, quase morto
De tanto sorrir do teu gozo.

Do Que Um Fraudulento É Capaz

Gosto quando me despertas
E me fazes trepar em versos
Acabar em poemas.

Quando A Janela É Uma Barraca Toda Aberta

Os passos d'um nômade
Apagando luas
Acendendo sóis

.

o contrário sobe
e você cai
abismo.

Derretendo Santo Antônio

O tempo de uma vela
                          queimar
É o tempo que amar-te-ei!

Até A Próxima

o tamanho do meu amor
o escândalo da minha coragem
se eu passo?
atravesso
se eu fico?
já nem ligo
se eu quero?
já vou indo.

Breve Toque Insaciável.

A Paulista me dilacera
Em tempos de Trianon.

Multidão e uma Avenida
                                 só!
Juntando estilhaços
Restos de vazios
Ninguém arrisca se encarar. 

Cheio, quer estourar
                   o amor.
A paixão,
Coisa mais violenta
'inda sangra doce
Mas finda a fotografia
                   dos olhos.
Perco o gosto.

Se não tem coragem, nem ouse.



Confesso:
Quero apenas um copo
- Não! Não precisa enchê-lo
Depois transborda
A boca, o externo
E alimenta o que cá dentro
É breve.

Assassinei o poema



Um odor sua poesia
Na cozinha
Fria na pia
Morta.

hámar

transparência plena
dos seus olhos
:altos-mares
intimidade
amor de qualquer hora
mansa, quieta
dias de ressaca.

dos quases

querência mora
no beijo de canto
de boca
da nuca
o sopro
quente.
des-graça-da!
'inda me arrepia
e brinca de braile.

o que nunca adormece

sei lá, camarada
até deixo o vinho de lado
esqueço, deixo queimar
a-l-o-n-e o varejo
mas a ideologia da minha poesia
essa fica
ainda que falsa.

pra já

queria poesia quente:
fiz um cozido
e a fiz lamber os beiços
de amor.