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(...) a multidão coberta de solidão. Pessoas sentem medo de expressar-se... Aproximam-se, mas partem sem se mostrarem. Há tumulto, desespero, correria por todas as esquinas... Veja ali atrás, olhe aquela moça tocando violino, sinta o amor na melodia e a tristeza suavemente envolvendo no movimento do seu braço que cria o som. Agora, continue a andar, veja aquela floricultura, olhe o lamento nos olhos daquela senhora por quase não ter mais em seu comércio apaixonados pelo romantismo. Rosas ficam meses dentro de freezers para ser conservadas e, quando retiradas e entregues a alguém, murcham, morrem, envelhecem nas garrafas por não terem sido oferecidas pelo derradeiro amor. 
Pare aí onde você está agora, é um café. O que você vê? Uma pequena mesa redonda com toalha de renda e duas cadeiras de madeira, uma é ocupada por um homem, e a outra sequer sua sombra o faz companhia. Algumas pessoas só tem numa mão um cigarro, e n'outra um copo de conhaque. O frio ameaça e já sinto a desfolhagem do outono. 

#projeto


que caia o outono
e desfolhe pássaro
voe amor.
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O que está por vir: prévia de um projeto meu e de Capima.

Poemas: Ana Pérola Pacheco
Ilustrações: Caroline Pires