das flores


(...)
- aposto que está regando elas...
- não páro...
- tenho certeza de que estão lindas. e no adubo, o que usas?
- amor.
- e o perfume, hein?
- delicadeza... aroma é ternura.

.

o colo da noite
me carece
do seu.

.

Penetro na tua treva
Na expectativa dos bosques teus
Meu amor, cheios de luz.
E bem perto, sendo um só, num oquidário
Numa ardência de botão
Desenvolvo com você
Vagalumes em noite breu.

.

te amar, amor
para fazer sentido
eu, você
tudos de nós
pele, alma
pêlo-ouvido
meu silêncio na tua boca:
gemido.

.

querer a cor
prá escrever
ao pé do ouvido.
ela tem uma voz de Orquídea. chega tão ligeira, invandindo-me pensamentos, o corpo, o meu, responde nudez de arrepio que eu não sei se paro ou se continuo. prossigo! um carinho no meu ouvido, uma dor a tua presença coberta de ausência... mas te sinto tanto, meu querer é imenso! tão calma e rasga-me toda. ao mesmo tempo em que eu, tão menina, a amo, eu, tão mulher, devoro-te inteira onde soem sussurros no ar. uma alegria tua ausência colorida presente na tua voz de Orquídea. você gosta de flores? gosto, e você? eu gosto de você também.
a voz umidecida
saliva é desejo
silêncio é gemido (no outro lado da linha). 

brincando com Líria

quando a lüa tinha trema
e camões lindamente a descrevia
quisera ter nascido no fonema
da extremada lüa que o estremecia

* líria porto



quando Líria escreve tua poesia
temo que nada eu conhecera
ao ler o que ela escrevia
e eu ria
chegava a chover
a barriga doía
eu tremia, querendo nos olhos
a poesia de Líria.
 
meu silêncio na tua boca. - disse

.

a
saudade
chove.

.

saudade é rio
que desabrocha
em cachoeira.