Zoyka

I
Não preciso dos lábios teus
                                  [Amor]
A mão tua na minha
Já me causa fre-ne-sí
Portanto, não te preocupa
                        [Querida]
Em vir e se despir
: brincar de ficar nua.

II
Minha vista te admira
Assim
De longe
Tão quanto como meu corpo corresponde ao teu
Assim
De perto.

E ardemos!

III
Faz calor e,
Nem é verão.
Tua língua no meu ventre:
Insolação.

Não quero mais nada.

Ouse me amar
E
Fim.

Lembre-se

Tua voz, aço-fino
No meu ouvido
Me pesa se
Não é de amor
Que falas.
Confio no teu espinho
E resmungo tua ausência
Mas não se esqueça
Aqui veludo é
Pétala de flor.

Distração

Me leve à Saturno
E por muitos instantes
Nós esqueça lá.

Se

Se não me quer, passe
Se te quero, ultra-fico
Se me quer, ultrapasse
Se não te quero, já vou indo.

Presença

Pr'essa saudade sair de mim
Só comendo-te,
Presença.

Nem

Nem no inverno
Minha poesia
Fica fria.

Falei!

O meu segredo
É que te quero.
Ih, falei!

Dentro

Tamanha vastidão
Das flores
No teu deserto.

Nossa Língua

Sei não, mas para mim
"eu te amo" é uma coisa e,
"I love you" é outra.
Um tem coragem,
O outro não.

Os Diálogos

- você está me matando de saudade.
- eu já estou morta.

Do Outro Lado Do Mundo

O pôr do sol aí invade
O chão do apartamento
E aqui
A lua faz silhueta
A madrugada inteira.

Fato

Máquinas não reclamam,
Mas pifam
E fim.

Medo

"O amor é a correnteza libertina da solidão."

Para Anelise Todt.

Realidade bruta
Solidão comportada
Mesmo com outra alma
Batendo à porta.
Ninguém abre
Fingem não vê.

Gira luasóis

A garrafa ficando vazia
E um copo só.
Uma garganta amor
E um corpo só.
No céu um gira-lua
E aqui gira-sóis na rua.

Poema Prá Quando Você Vier

Quero logo que me venhas assim, olho no meu
Para leres o melhor que te tenho
Should we
Logo!
Quero olhar-te os olhos
Tocar-te em tons leves de arpas
Voar no beijo.

Solto

Celular
Além de ser intimista
Cabe pouco sentimento.

Brincadeira

Vontade você me fez
E hoje fico a te criar
Guarde-me numa gaveta
E numa outra vez, quando quiser
Eu deixo que brinques de me amar.

É Preciso

Eu sempre achava que
No meio do teu gosto amargo
Pudesse me vir coisas
Doces.

Mas não!
Sem fé alguma
Nada me aconteceria.

Simples Assim

Quando eu chover
Agasalhe meu olhos
Com Você.

Vazia De Mim, Cheia De Você

Me sou tanto e só, além do vosso quarto
Que nunca vi, parede alguma, branca, lilás
Tanto-faz!
Te sei anoitecendo, laranja
Querendo sumir nas águas de Iemanjá.
...te encontro amanhe.sendo
No entarde.ser já nem me sei mais!
Me sou tanto e só, aquém se você vem
Fico até vazia de mim.
- Já sei:
E me dizes que sabes! Ora!
Mulher alguma sabe de nada
Se não olhar pro.FUNDO
No olho de quem as olha.

Uma Janela Aberta

É muito claro quando
Entre nós só haviam
Correspondências
Sopros
Vieram bares blues
Com suas tequilas
E me mostrastes sua boca
Sem pudor algum:
Uma janela aberta.

Postes & Céu

Talvez olharíamos mais as estrelas
Se não fossem essas luzes
Na altura dos nossos olhos.