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 lá foram cantam eles, os pássaros
e nós, amores, ficamos a sentir
amantes cá dentro.
lá fora é sol, céu azul
enamorados declaram
luz, calmaria entre si.

da leveza

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minh'alma não tem rugas
e meu coração
não carece de tempo.
minh'alma se esvai
se lança ao vento
e meu coração permanece
fica... calmo, ameniza a dor do tempo.
minh'alma morre, renasce
te encontra e
te paralisa no ar.
meu coração sobrevive,
ainda que cicatrizado
te espera, te necessita
te reconhece.

dos diálogos

- Menina, teu raio-x já está pronto!
- E aí, Doutor, estou boa?
- Azul e cheia de infinito.
- E isso quer dizer o que, Doutor?
- Quisera eu fazer morada nessa paz.

.

te levar ao parque e, mesmo sabendo o seu pavor por alturas, de repente, te conduzir até uma roda-bem-gigante só para te mostar o céu mais de perto, só para te ver sorrir ao tocar nas nuvens. você continua com medo, mas o infinito é coragem, e você continua, e você fica. você se acalma e me pede mais.
 

.

papéis em branco
poesia é na ponta
dos dedos.

.

fechava os olhos e te via
nua, despida, carne crua
tua alma pela rua
indo atrás de minha criatura
pronta a me amar
pronta a me querer
eternamente.

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I

tragava o cigarro
como se suavizasse o desejo
tempestade.

II

molhado o corpo
não sabia o que era mar
não sabia o que era céu.

III

teu ventre
meio às ruas de pernas
vagalume.

das flores


(...)
- aposto que está regando elas...
- não páro...
- tenho certeza de que estão lindas. e no adubo, o que usas?
- amor.
- e o perfume, hein?
- delicadeza... aroma é ternura.

.

o colo da noite
me carece
do seu.

.

Penetro na tua treva
Na expectativa dos bosques teus
Meu amor, cheios de luz.
E bem perto, sendo um só, num oquidário
Numa ardência de botão
Desenvolvo com você
Vagalumes em noite breu.

.

te amar, amor
para fazer sentido
eu, você
tudos de nós
pele, alma
pêlo-ouvido
meu silêncio na tua boca:
gemido.

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querer a cor
prá escrever
ao pé do ouvido.
ela tem uma voz de Orquídea. chega tão ligeira, invandindo-me pensamentos, o corpo, o meu, responde nudez de arrepio que eu não sei se paro ou se continuo. prossigo! um carinho no meu ouvido, uma dor a tua presença coberta de ausência... mas te sinto tanto, meu querer é imenso! tão calma e rasga-me toda. ao mesmo tempo em que eu, tão menina, a amo, eu, tão mulher, devoro-te inteira onde soem sussurros no ar. uma alegria tua ausência colorida presente na tua voz de Orquídea. você gosta de flores? gosto, e você? eu gosto de você também.
a voz umidecida
saliva é desejo
silêncio é gemido (no outro lado da linha). 

brincando com Líria

quando a lüa tinha trema
e camões lindamente a descrevia
quisera ter nascido no fonema
da extremada lüa que o estremecia

* líria porto



quando Líria escreve tua poesia
temo que nada eu conhecera
ao ler o que ela escrevia
e eu ria
chegava a chover
a barriga doía
eu tremia, querendo nos olhos
a poesia de Líria.
 
meu silêncio na tua boca. - disse

.

a
saudade
chove.

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saudade é rio
que desabrocha
em cachoeira.

Dos beijos

Os beijos suaves no meio de um sono – madrugadas servem para isso, lembrar que existe alguém em algum lugar que te quer o bem, que te pensa e que, se estivessem em cor, tudo seria uma questão de amor.
Depois, você sabe, a pessoa recebe o beijo e a gente fica toda preocupada com qual lápis de cor pintar o desejo, depois o sexo, o amor.
Sei lá, mas no final, eu sei, virá um arco-íris, aquarela.

Os beijos suaves no meio de um sono – o vapor quente saindo pela boca passando pelo ouvido alheio arrepiando o pêlo, o amor em braile não é assim?


Os beijos suaves no meio de um sono – o íntimo já logo contrai-se na coxa daquele outro corpo, e tirar a roupa é perda de tempo, é preciso, agora, rasgá-las, pedaços de saudade – Eu estava querendo fazer isso há muito tempo, disse – pelo chão.


Os beijos suaves no meio do sono – o silêncio da noite parecia gemer. A manhã trazia gozos na bandeja na cama pro café. Os beijos suaves no meio de um sono – despertar, amanhe.ser.

Até Onde É Céu, Até Onde É Mar.


Sentada de frente pro mar, parecia observar a onda quebrar nas pedras daquela ilha, e a cada onda revolta um pensamento, uma saudade, uma vontade, desejo: Ser nova!
Costumeiramente aquele ponto da praia fica deserto, mas naquela noite passava uma outra alma que parecia buscar o mesmo que aquela que observava a onda quebrar. Ficaram ali, as almas, silenciosas...Olhares na mesma direção. Era possível que uma ouvisse a respiração ofegante da outra, até que:

- esta tudo bem?
- sim, esta...por que?
- sua respiração...
- minha respiração.
- forte.
- forte.
- falta ar?
- não é desesperador para você saber que você esta prestes à amar alguém? uma nova pessoa? ser nova em tudo?
- não...é assim para você?
- não, olha, não me confunda... minha respiração...
- sua respiração...
- nossa respiração...
- aqui falta ar.
- aqui te dou ar.
- e o sentido disso tudo?
- não busco respostas...
- mas me diz?
- por que você não me olha?

Levantou a cabeça com calma, olhando-a de baixo para cima.

- seus olhos são bonitos.
- eu gosto dos seus....
- e o sentido?
- de que?
- disso tudo....
- você.
- eu?
- eu também.

E discretamente uma pegou na mão da outra. A sensação era de estarem segurando o coração do universo e sentindo o infinito. Era bonitas juntas, radiantes... Sabe quando você olha o horizonte e não sabe mais o que é céu e mar? Elas eram uma coisa só.

Bem-Me-Queira

ando em ruas de pedras
e penso estar pisando em
pés de moleques.

doce o caminhar
quando o que me leva ir
é bem-te-quero.

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quando você pensa que ninguém nota, que nada acontece, vem alguém e dá play, e depois, parar de dançar: impossível. seus pés doem, racham, sangram. mas curativos são feitos por essa mesma pessoa que te deu play. ela quer que você dance, ela quer que você viva... que você exista, com ela e dentro dela.

jóia

você chora
e insistem em cair
cristais.

Assim és tu

Assim és tu, oh doce amada
Correspondente na hora exata
Silêncios que me deixam sem palavras.
E tua voz? Melodia carinhosa.

És tudo, e me arrasa
És quem me invade com um olhar
E me derretes assim
Fazendo-me rio sob teu corpo, onde anoiteço.

Tuas mãos, veludos mais macios não há
Tua boca, teus lábios, porta pros meus desejos
Teu corpo seda, onde estou a deslizar.

És tudo, és minha amada
És meu orgasmo, meu gemido
És quem não vejo e tanto sinto.

Zoyka

I
Não preciso dos lábios teus
                                  [Amor]
A mão tua na minha
Já me causa fre-ne-sí
Portanto, não te preocupa
                        [Querida]
Em vir e se despir
: brincar de ficar nua.

II
Minha vista te admira
Assim
De longe
Tão quanto como meu corpo corresponde ao teu
Assim
De perto.

E ardemos!

III
Faz calor e,
Nem é verão.
Tua língua no meu ventre:
Insolação.

Não quero mais nada.

Ouse me amar
E
Fim.

Lembre-se

Tua voz, aço-fino
No meu ouvido
Me pesa se
Não é de amor
Que falas.
Confio no teu espinho
E resmungo tua ausência
Mas não se esqueça
Aqui veludo é
Pétala de flor.

Distração

Me leve à Saturno
E por muitos instantes
Nós esqueça lá.

Se

Se não me quer, passe
Se te quero, ultra-fico
Se me quer, ultrapasse
Se não te quero, já vou indo.

Presença

Pr'essa saudade sair de mim
Só comendo-te,
Presença.

Nem

Nem no inverno
Minha poesia
Fica fria.

Falei!

O meu segredo
É que te quero.
Ih, falei!

Dentro

Tamanha vastidão
Das flores
No teu deserto.

Nossa Língua

Sei não, mas para mim
"eu te amo" é uma coisa e,
"I love you" é outra.
Um tem coragem,
O outro não.

Os Diálogos

- você está me matando de saudade.
- eu já estou morta.

Do Outro Lado Do Mundo

O pôr do sol aí invade
O chão do apartamento
E aqui
A lua faz silhueta
A madrugada inteira.

Fato

Máquinas não reclamam,
Mas pifam
E fim.

Medo

"O amor é a correnteza libertina da solidão."

Para Anelise Todt.

Realidade bruta
Solidão comportada
Mesmo com outra alma
Batendo à porta.
Ninguém abre
Fingem não vê.

Gira luasóis

A garrafa ficando vazia
E um copo só.
Uma garganta amor
E um corpo só.
No céu um gira-lua
E aqui gira-sóis na rua.

Poema Prá Quando Você Vier

Quero logo que me venhas assim, olho no meu
Para leres o melhor que te tenho
Should we
Logo!
Quero olhar-te os olhos
Tocar-te em tons leves de arpas
Voar no beijo.

Solto

Celular
Além de ser intimista
Cabe pouco sentimento.

Brincadeira

Vontade você me fez
E hoje fico a te criar
Guarde-me numa gaveta
E numa outra vez, quando quiser
Eu deixo que brinques de me amar.

É Preciso

Eu sempre achava que
No meio do teu gosto amargo
Pudesse me vir coisas
Doces.

Mas não!
Sem fé alguma
Nada me aconteceria.

Simples Assim

Quando eu chover
Agasalhe meu olhos
Com Você.

Vazia De Mim, Cheia De Você

Me sou tanto e só, além do vosso quarto
Que nunca vi, parede alguma, branca, lilás
Tanto-faz!
Te sei anoitecendo, laranja
Querendo sumir nas águas de Iemanjá.
...te encontro amanhe.sendo
No entarde.ser já nem me sei mais!
Me sou tanto e só, aquém se você vem
Fico até vazia de mim.
- Já sei:
E me dizes que sabes! Ora!
Mulher alguma sabe de nada
Se não olhar pro.FUNDO
No olho de quem as olha.

Uma Janela Aberta

É muito claro quando
Entre nós só haviam
Correspondências
Sopros
Vieram bares blues
Com suas tequilas
E me mostrastes sua boca
Sem pudor algum:
Uma janela aberta.

Postes & Céu

Talvez olharíamos mais as estrelas
Se não fossem essas luzes
Na altura dos nossos olhos.